O Natal faz sentido

Por Professor  Antônio Padilha

Nos últimos tempos, tenho aprendido com a etnomusicologia que a natureza tem seus ciclos, assim também, como tenho compreendido a intenção do homem, principalmente via religião, em atribuir valores, inventar relações desses ciclos para afirmar as suas convicções. A festa pagã que ocorria no equinócio de verão, hoje representa o nascimento de São João, assim como a data do equinócio de inverno passou a representar o nascimento de Jesus Cristo. Independentemente do contexto, pagão ou religioso, esses momentos podem ser utilizados para uma reflexão, onde todos os seres humanos relembrem a condição de pertencer a uma raça única “a raça humana”. Que tal fazermos uma parada na nossa afoita caminhada para avaliar se o princípio da razoabilidade que nos possibilita pesarmos se ” os meus, os teus, e os nossos interesses estão sendo considerados e se estão em sintonia? Que tal verificarmos se não estamos sobrepujando os outros. Se não estamos nos apresentando como especiais e olhando para os “outros” com um olhar egocêntrico. Se aproveitarmos esses momentos para avaliar os princípios da relatividade cultural e nos propor a viver de forma a respeitar o diferente, que, na maioria das vezes, é a razão do nosso encantamento, o Natal faz sentido.
Antônio Padilha

1 Comentário

  1. Fui aluno do Prof. Dr. Antônio Padilha e não faltava uma aula. O cara é super competente, parece uma enciclopédia ambulante. Todo assunto o cara entende, da religião passando pela política e de música nem se fala. Apesar de toda a competência o cara é super humilde e sempre pronto a ajudar quem precisa. Esse texto é super atual. Uma crítica dura aos que passam o ano explorando e humilhando-nos outros e no Natal se fingem de humanos. Parabéns ao nosso verdadeiro mestre, pois vive o que ensina!

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